domingo, setembro 02, 2007

O que passou!

Passou o tempo... As coisas acontecem por algum motivo, quero eu pensar... Tu aconteceste assim.O acontecimento do ano, talvez outro, talvez aquele que me vai deixar um mar infindável de recordações, boas e amargas! Sim, tu! Tal como uma brisa fria, penetraste no meu mundo com um cem numero de sonhos por concretizar, uma vida parada pela tua própria mão, e tu sem quereres ainda agarrar o leme e largar o porto seguro em que atracaste um dia sem medires a falta que o mar agitado te faz, sem pensares o que viria e o que irias fazer a seguir. Encontraste-me assim, mostraste-te disposto a correr um novo rumo, cheio de vida e brilho, segurança fugaz que te vi fugir com a passagem das luas que se seguiram. Arrumei o barco, coloquei-o na direcção acertada para navegar seguro no rumo a uma harmonia que passei a acreditar merecida! A teu lado, apesar de tudo, de todas as tempestades que ainda estariam para vir. Sim, porque essas sempre de disse que viriam, e tu, no teu optimismo desmedido, sempre quiseste esquecer. Não preparaste o casco, a parte que te competia, para dar a largada e fazer a viagem. Eu fiquei no cais, agarrada a sonhos, agarrada à esperança e a tudo o que sonhámos juntos em segredo, fugindo do mundo que nos consumia dia após dia. Acreditei-te, deixando-te entranhar na pele como meu, algo que já não acreditava sentir depois de tudo... O tempo, fugiu devagar, outros dias rápido, sem sentido. Eu continuei aqui, no cais à tua espera para marcar a largada. Continuo com a barca que nos levaria para um novo começo de nós, mas sem ti! Este verão, sozinha, à espera de promessas que não conseguiste cumprir, nem mesmo por ti. Devagar vou preparando a viajem e a alma, para partir sem nós. Sei que esperas que aguarde... só mais um pouco. Mas descobri sozinha que esse tempo não virá e que me custará mais do que o ainda guardo para t. Sentimento que como o sol, todos os dias se põe... devagar, e regressa de manhã mais finito. Outros dias virão, e tu ficarás ai, nesse porto seguro, que não te ilumina, que te prende e faz ser outro que não tu próprio. Mas sabes que quero mais e que te deixarei ancorado ao local que já estás sem promessas de voltar. Sei que me queres aqui...presa como tu, mas sei que também descobriste que a minha natureza não é a de morrer aos poucos. Estranha relação com o tempo, esta que aprendi contigo. Estranha presença oculta que me fez aqui ficar a ver mais um pôr do sol...sozinha! E o tempo... continua a passar, arrastando-te aos pedacinhos, vendo-te afastar do que a vista alcança, enquanto navego para outro cais, mais uma vez comigo mesma apenas...e o casco por remediar.

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